dom. ago 14th, 2022

A catapora continua se espalhando pelo Brasil e pelo mundo, obrigando as autoridades a tomarem providências. Aqui, na última quinta-feira (4), o governo de São Paulo anunciou o lançamento de um plano de enfrentamento da doençaque definiu hospitais de retaguarda, rede credenciada de laboratórios para testagem e serviço de orientação aos profissionais de saúde, além de protocolos diagnósticos e assistenciais.

Paralelamente às medidas públicas, todos precisam fazer sua parte na luta contra o vírus, começando pelo esforço para impedir sua propagação. Então, como você age quando descobre que teve contato com alguém diagnosticado com a chamada varíola?

Segundo o infectologista Marcelo Otsuka, membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), é preciso ter em mente que a transmissão da doença ocorre principalmente por contato íntimo. “E quando se trata de contato íntimo, a relação sexual se destaca. Não há contato mais íntimo do que esse”, ressalta.

A grande questão, segundo o especialista, é o contato direto com as lesões na pele ou nas mucosas presentes na pessoa infectada. “O vírus também está no sêmen, mas o que se sabe até agora é que a quantidade encontrada nele é insuficiente para desencadear a doença”, enfatiza.

O sexo, porém, não é a única forma de transmissão, como Otsuka faz questão de lembrar. “Basta verificar que temos casos de crianças infetadas, ou seja, que não foram afetadas pelo vírus desta forma.”

Tempo de exposição, carga viral e outros fatores

O médico diz que há muitos fatores a serem levados em consideração quando se trata da transmissão da Monkeypox, incluindo o tempo de exposição e a carga viral no momento do contato.

“Sabemos que a doença se transmite com as lesões mesmo cicatrizadas, já com uma crosta, o que não acontece no caso da varicela, por exemplo”, diz. “A transmissão mais significativa, porém, acontece no início da doença e na fase vesicular”, acrescenta.

O compartilhamento de objetos, como toalhas, também pode fazer com que a doença se espalhe, além de ficar dentro de casa com pessoas infectadas por um período, pois o contágio também ocorre pelo trato respiratório por meio de gotículas quando há contato próximo.

Isolamento e cuidados médicos

Então, tendo se exposto a situações de risco, o primeiro passo é entender como está o seu sistema imunológico. “Se você tem câncer ou AIDS, por exemplo, a infecção exige mais atenção, pois a Monkeypox pode evoluir para um quadro mais grave”, diz o infectologista.

Otsuka lembra que o Brasil ainda não tem medicação específica para o tratamento, mas que o Ministério da Saúde já solicitou o envio do antiviral tecovirimat. Será entregue ao país por meio da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e destinado justamente aos pacientes mais complexos.

Como em qualquer doença contagiosa, o médico ressalta a importância do isolamento social para que a transmissão seja evitada. “Também vale ressaltar que o período de incubação do vírus pode chegar a três semanas. Nesse período, o paciente precisa ser monitorado e deve ficar atento ao aparecimento de lesões na pele”, afirma.

Na ausência de medicação adequada e vacina, é aconselhável descansar, se alimentar bem, investir no tratamento dos sintomas e buscar informações especializadas. “A orientação médica é sempre interessante. Além disso, é importante mapear a doença por meio das notificações”, conclui.

Teve contato com alguém diagnosticado com Varíola dos Macacos? Saiba como agir – evisos Brasil

By Globo